Presidente e Fundador da ADCGénero
Sendo formado em Comunicação e Desenvolvimento Social, eu me confrontava com as desigualdades e violência baseada no género, resultantes da estrutura patriarcal que molda nossa sociedade. Fui educado (socializado) a ser homem como qualquer outro homem que deve reproduzir o modelo do patriarcado. Todavia, os casos de violência reportados diariamente pelos órgãos de comunicação social, a partir dos dados fornecidos pela Polícia da República de Moçambique, revelavam uma triste realidade, e principalmente, tinham tendência a expor mais as mulheres vítimas do que o perpetrador.
Em 2007, comecei a interessar-me pelo assunto das masculinidades, mesmo sem ter noção sobre o assunto. A problemática da violência contra as mulheres e raparigas, levou-me a pensar seriamente em qual poderia ser a minha contribuição para o combate a este problema social.
Em 2008, decidí quebrar o silêncio! A única certeza que tinha era de que, não poderia mais compactuar com tais injustiças! Mas precisava também mobilizar mais homens para esta luta. Em 2008 comecei a posicionar-me publicamente contra a violência masculina em Moçambique, através de artigos nas páginas de opinião do Jornal Notícias.
Em 2009 participei da criação da Rede Homens pela Mudança (HOPEM) com activistas sociais, e cerca de 25 organizações nacionais e estrangeiras, que se juntaram com o objectivo de envolver os homens na promoção dos Direitos Humanos de mulheres, crianças e dos próprios homens. As vozes masculinas se multiplicavam!
A partir de Maio de 2011 comecei a escrever para o Jornal “O País”, e a debater o tema em fóruns públicos e privados. Criei no mesmo ano, um programa na Televisão de Moçambique denominado, “Homem que é Homem”. Simultaneamente, lancei no Facebook o “Homem que é Homem”, uma rubrica denominada HQH AJUDA, uma espécie de SOS Violência, com muita aderência de moçambicanos de todos os cantos do país. Isto contribuiu para perceber a dimensão do problema sobre a violência baseada no género, e as desigualdades daí resultantes.
Como ativista social e formador por mais de 10 anos, percebí que precisavamos criar uma instituição vocacionada à produção de conhecimento e desenvolvimento de capacidades para a mobilização social, comunitária e advocacia. Com abordagens transformativas de género e Comunicação para Mudança Social de Comportamento (SBCC), promovendo o aumento de conhecimento e reflexão profunda nas organizações, instituições e comunidades. Foi assim que surgiu e criamos a ADCG.
DIRECTOR EXECUTIVO e Fundador da ADCGénero
Como sociólogo e pesquisador compreendo que a pesquisa é um processo fundamental para a produção de conhecimentos que permite a compreensão da realidade social. Ela permite que possamos compreender melhor as desigualdades e as diferentes formas de violência baseada no género, como elas se estruturam e como se reproduzem. Permite também, agir com maior certeza, segurança e previsão para implementar programas e acções, com vistas a transformações positivas e sustentáveis das masculinidades, normas e valores sociais.
Devido às estruturas patriarcais de poder milenar, as mulheres e raparigas nascem em um mundo que lhes coloca numa posição de vulnerabilidade, restrições sociais, subordinação internalizada e falta de controle sobre aspectos-chave de suas vidas e seus corpos. Para alcançar o empoderamento das mulheres e raparigas, é necessário um compromisso de todas as pessoas independentemente do seu género e posição social.
Por isso, como Director Executivo da ADCGénero, acredito no desenvolvimento de capacidades dos nossos colaboradores e parceiros, alicerçado no conhecimento científico e no conhecimento local das comunidades em que trabalhamos. Assim, as nossas abordagens e ferramentas, poderão contribuir para a transformação sustentável das normas sociais e combate à violência baseada no género, o que por sua vez, resultará no empoderamento das mulheres e raparigas, com vistas à melhoria dos padrões de igualdade e equidade de género para todas as pessoas.